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Crise de alimentos fará do Brasil "celeiro do mundo", diz especialistas.

06/03/2014

A crise alimentícia que tem trazido preocupação ao mundo mostra-se uma boa oportunidade para o crescimento do agronegócio brasileiro.

Segundo especialistas em economia agrária ouvidos pelo G1, o país é uma das nações mais preparadas para suprir a atual escassez de alimentos – ganhando mercados e lucros para seus agricultores no processo.

“Somos o principal beneficiário dessa conjuntura”, afirma Marcos Fava Neves, professor de estratégia do curso de Administração da USP.

“Hoje, já somos líderes mundiais na produção de diversos produtos agrícolas, como carne bovina, suco de laranja e soja. Amanhã, o Brasil poderá ser o celeiro do mundo, a solução do problema da inflação dos alimentos”, proclama.

"Estamos vindo de uma safra muito boa, rentável ao produtor, com muito investimento em tecnologia. Isso implica aumento de produtividade e dá uma boa perspectiva", confirma Ana Laura Menegatti, analista da consultoria MB Agro.

A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que, neste ano (2008), a safra atinja um recorde de 142,03 milhões de toneladas de grãos colhidos. Esse volume representa um crescimento de mais de 120% em apenas dez anos – a safra 1997/1998 foi de 76,558 milhões de toneladas de grãos.

Ainda assim, as perspectivas são de forte incremento da produção. O país tem cerca de 400 milhões de hectares de terras aráveis. Desse espaço, apenas cerca de 60 milhões de hectares são hoje destinados à agricultura.

"Entre os grandes produtores, o Brasil é o que tem mais área potencialmente arável. Pode crescer tanto por incorporação dessas áreas, onde o país tem vantagem, como por aumento de produtividade. O Brasil pode se destacar em agricultura", diz Ana Laura.

Segundo Fava Neves, o potencial de crescimento da agricultura brasileira é amplo. “Temos 120 milhões de hectares que podem ser incorporados à produção agrícola sem qualquer dano ambiental. Temos também um clima muito favorável para a agricultura e água abundante – um recurso cada vez mais escasso no mundo hoje”, lista.

Além disso, também há o interesse dos investidores externos pelo Brasil. “Somos hoje o mercado para o qual os investidores mais olham. Temos uma quantidade enorme de investidores que querem colocar dinheiro na nossa agricultura”, diz o professor da USP.

Segundo ele, cerca de 4 milhões de hectares dos campos agrícolas brasileiros já são de propriedade de grupos estrangeiros.

Nos últimos dez anos, a área plantada no Brasil cresceu pouco menos de 35%. Nesse período, a produtividade cresceu de 2.187 quilos por hectare, na safra de 1997/1998, para uma previsão 3.026 dez anos depois – uma mostra do aumento do uso da tecnologia nas culturas.

"O agronegócio vem passando por intenso processo de profissionalização, que é intimamente ligado à melhoria de produtividade", diz a analista da MB Agro. A tecnologia usada nas lavouras de soja, por exemplo, é considerada de ponta, permitindo produtividade tão boa quanto a norte-americana.

“Temos espaço, clima e tecnologia. Acredito que, se fizermos todo o trabalho certo, poderemos dobrar nossa produção agrícola e triplicar as exportações do agronégócio (hoje na casa de US$ 50 bilhões anuais) no período de cinco a oito anos”, prevê Fava Neves.

Os especialistas entendem que a melhor perspectiva de crescimento para o agronegócio brasileiro está na substituição de pastagens pela lavoura. A área destinada a pastagens é três vezes a utilizada pela agricultura. "Nossa pecuária é extensiva. Se for intensificada, libera mais áreas para plantio de grãos, sem redução de nenhum dos dois produtos", diz Ana Laura.

Uma parte considerável dessas pastagens hoje se encontra em processo de degradação, por falta de manejo adequado, sem capacidade de produzir forragem suficiente para suportar uma quantidade razoável de animais.

"Podemos introduzir algumas tecnologias que permitam recuperação dessas áreas, e seria possível produzir mais bovinos em área menor, destinando uma parte dessa área para produção de grãos, alimentos", diz Kepler Euclides Filho, engenheiro agrônomo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

"A gente sabe que tem área que está sendo usada abaixo do seu potencial produtivo. Então, nosso crescimento não implica necessariamente plantar onde não pode, mas fazer um melhor aproveitamento dos recursos já disponíveis", concorda Ana Laura.

A preocupação dos organismos internacionais, no entanto, é que esse crescimento não seja suficiente. Em 2006, puxada pela melhora das condições de vida nos países em desenvolvimento – especialmente China e Índia -, a demanda mundial dos principais grãos ultrapassou a produção.

O caso mais emblemático é o do milho. O consumo mundial de quase 722 milhões de toneladas do produto no ano superou as 689 milhões de toneladas produzidas – e reduziu os estoques globais em cerca de 27%. O fato de cerca de 30% da produção americana de milho ter sido desviada para a fabricação de etanol também teria pesado nessa conta, de acordo com os especialistas. O mundo também produziu menos soja, arroz e trigo do que foi consumido.

E o mercado interno brasileiro, pode ser afetado por essa inflação mundial? Dificilmente, segundo Fava Neves. “Nossa produção ainda é muito superior à demanda nacional”, afirma. No entanto, ele ressalva que a situação pode ser diferente para alguns produtos nos quais o Brasil é dependente do mercado externo – em especial o trigo, commoditie na qual o país é um dos maiores importadores do mundo.
Para conseguir alcançar esse cenário positivo, no entanto, é preciso que o país supere uma série de barreiras.

“É preciso romper as travas administrativas e ideológicas do governo para que dinheiro de fora entre logo aqui, para resolver nossos problemas de logística e infra-estrutura”, diz Fava Neves.
Segundo ele, o principal problema nacional seria o “péssimo” estado em que se encontram portos e estradas. Essa degradação causaria a perda de uma fração considerável da produção ao longo do caminho até os consumidores, sejam do Brasil ou do exterior.

"A infra-estrutura, sem dúvida, ainda é um grande gargalo que tem que ser resolvido no futuro próximo se a gente deseja ser o celeiro do mundo", concorda Ana Laura, da MB Agro. "Tem regiões no Mato Grosso, por exemplo, onde por causa do custo ainda não compensa produzir", relata.

Os altos preços dos insumos agrícolas também freiam a expansão da produção. O Brasil ainda importa cerca de 80% dos fertilizantes que usa – e os preços vêm batendo recordes mês após mês. “Se aumentar muito nossa produção, pode faltar fertilizante”, adverte o professor da USP.

Fonte: O Globo.


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