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Embalagem a vácuo pode ser alternativa à refrigeração de ovos.

25/02/2014

Pesquisadores da Unesp de Jaboticabal (SP) criam novo modelo de conservação, mas ainda trabalham para reduzir custos.

A embalagem a vácuo, hoje encontrada em alimentos como carnes e laticínios, pode ser adotada pela indústria de ovos em breve. Resultado de um estudo da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal, em São Paulo, a nova embalagem é testada pelos pesquisadores como uma alternativa à refrigeração.

Segundo a zootecnista Aline Scatolini Silva, que tem a pesquisa como projeto de doutorado, apesar de a refrigeração ser eficaz para a preservação dos produtos, o alto custo faz com que 92% do que é comercializado hoje seja transportado in natura. A refrigeração, inclusive, faz parte das recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a conservação de ovos no País e é adotada também no exterior.

Os estudos, que começaram em 2008, mostraram que a embalagem a vácuo impede a proliferação de microorganismos como bactérias e fungos que provocam a deterioração do produto; os resultados obtidos são similares aos da refrigeração. Para tornar o processo mais eficiente, os pesquisadores utilizaram um sachê com propriedades de absorção de oxigênio. “Como o ovo é um produto muito delicado, não é possível retirar todo o ar só com a embalagem a vácuo”, afirma Aline.

Para José Roberto Bottura, diretor técnico da Associação Paulista de Avicultura (APA), o projeto pode trazer benefícios ao mercado, já que a refrigeração nos mercados nem sempre é a melhor opção. “Vivemos num país tropical. Se o consumidor compra o ovo gelado e fora do supermercado está fazendo calor, essa diferença de temperatura pode alterar o alimento”, diz.

Para se tornar viável, porém, o projeto ainda precisa reduzir os custos de comercialização. Segundo a pesquisadora, a nova embalagem custaria de R$ 0,50 a R$ 0,70. “Hoje o preço da embalagem fica entre R$ 0,08 e R$ 0,10. O custo da nova embalagem não poderia passar dos R$ 0,12”, diz Bottura. A redução de custos está nos planos da equipe da Unesp, que pretende também estender o prazo de validade do produto. Os ovos duram, em média, 30 dias. Com a nova embalagem, a qualidade dos ovos estaria garantida neste período.

Outro ponto que ainda precisa ser aprimorado é o estojo plástico que abriga os ovos sob a embalagem a vácuo. Segundo Aline, os pesquisadores buscam um material mais resistente, já que o utilizado atualmente é suscetível a quebras. “Ainda precisamos de mais estudos para chegar à comercialização”, diz a pesquisadora. Se tiver sucesso, a equipe da Unesp tem um forte mercado pela frente. Conforme estimativas da APA, foram produzidos em 2009 cerca de 22,8 bilhões de ovos no País. “Para este ano, a expectativa é que este número chegue aos 23,5 bilhões”, afirma José Bottura.

Enquanto as novas embalagens não chegam às prateleiras, os especialistas recomendam ao consumidor tomar alguns cuidados na hora da compra para obter ovos de qualidade. Segundo o diretor da APA, o ideal é que o transporte dos ovos seja feito nas primeiras horas da manhã ou no fim do dia, quando a temperatura não é tão alta. O local de armazenamento no mercado deve ser limpo e fresco.

Bottura lembra que a embalagem dos ovos precisa ter a identificação do produtor, com endereço e telefone. “É fundamental também que tenha uma data de validade e um selo de inspeção”, diz. Sobre o aspecto visual, ele afirma que o ideal é que os ovos não estejam trincados ou com muitas manchas, características que podem indicar má conservação.

Fonte: ig/economia


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